domingo, 8 de dezembro de 2013

A FUNÇÃO SOCIAL DO FILÓSOFO

Gostaria de sugerir a leitura do artigo A Função Social do Filósofo, do Professor Franklin Leopoldo e Silva, do Departamento de Filosofia da USP, como subsídio para nossa reflexão a propósito do Ensino da Filosofia.



  1. Uma das questões que se põem nessa matéria é a das condições histórico-sociais da produção teórica em filosofia. Essa questão liga-se à possibilidade de se traçar a gênese da reflexão e sua inserção em um recorte espaço-temporal no qual se pode identificar as forças das quais se originam os diversos gêneros da cultura. A filosofia é uma dessas figuras que surgiram e se concretizaram em um determinado quadro histórico-social. Mas essa não é a única nem a principal inquietação suscitada pelo tema da função social do filósofo. As circunstâncias particulares em que cada pensador produziu sua obra envolvem miríades de detalhes e formam numerosas e diversas relações entre incontáveis fatores que inviabilizam a constituição de uma tese definitiva pela qual se possa adotar uma interpretação incontestável de suas ideias fundada na sua articulação a essas conjunturas. Por isso, o Professor Franklin Leopodo e Silva nos propõe discutir esse tema levando em conta mediações de diversas ordens. Para ele, corremos o risco de estabelecer, por negligenciar essas mediações, uma relação mecanicista entre tais circunstâncias e o pensamento do autor que elegemos para estudar. Todo pensador também é um agente da história. Por isso, sempre haverá uma caminho para investigar as mediações da história e da subjetividade que ensejaram o surgimento de uma obra de filosofia.
  2. Seu artigo nos desafia a refletir sobre esse tema a partir de um problema crucial: o que pretendemos esclarecer? - Qual é a função social do filósofo? Ou Qual dever ser a função social do filósofo?
Acredito que temos aí uma série de interrogações que nos permitem desenvolver nossas reflexões sobre o ensino de filosofia.



A referência do texto é a serguinte:

LEOPOLDO E SILVA, Franklin. A Função Social do Filósofo. In ARANTES, Paulo... et all; MUCHAIL, Salma T. (Org.). A Filosofia e seu Ensino. - Petrópolis : Vozes; São Paulo: EDUC, 1995. pp. 09 a 22.

Sócrates Superstar

Na última quinta-feira, dia 05 de dezembro de 2013, nossa aula deu-se com a exibição do filme:

Sócrates – O Filme

Sócrates (filme)Dirigido pelo cineasta italiano Roberto Rossellini, este longa-metragem é a cinebiografia de Sócrates (469 – 399 a.C.), um dos maiores filósofos que a humanidade teve a graça de conhecer. O filme, originalmente produzido para a televisão e lançado em 1970, mostra o final da vida do filósofo grego, incluindo seu julgamento e sua condenação à morte. É composto quase que totalmente por diálogos, baseados nos diálogos escritos por Platão, além de uma breve encenação da comédia “As Nuvens”, de Aristófanes, que ridiculariza Sócrates. É sempre bom lembrar que Sócrates nada escreveu, pois acreditava que a filosofia devia ser praticada oralmente.

Aqui vai o site onde para desejar saber mais sobre esse filme:

 http://charlezine.com.br/socrates-um-filme-de-roberto-rossellini/

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

A Mídia como recurso didático

Durante a aula do dia 28 de novembro de 2013, houve uma discussão sobre o diálogo de Platão e a sociedade contemporânea. Os acadêmicos pontuaram que os interlocutores têm que defender um ponto de vista, conforme a figura de Sócrates, mestre de Platão. E diante do questionamento do professor Nelson Matos de Noronha sobre Há uma tecnologia no ensino da Filosofia?

Proponho a leitura dessa passagem do FEDRO para que façamos a discussão sobre o uso da tecnologia no ensino de Filosofia:



SÓCRATES:
Pois ouvi contar que, perto de Náucratis, no
Egipto, havia um daqueles deuses antigos do
lugar, cujo símbolo sagrado era a ave a que cha-
mam íbis. O nome dessa divindade era Theuth.
Pois dizem que foi ele o primeiro a descobrir a
ciência do número e do cálculo, a geometria e a
astronomia, também o jogo das damas e o dos
dados e, ainda por cima, a escrita.
O rei de todo o Egipto, nessa altura, era Ta-
mos, que habitava a grande cidade da parte alta
do país, que os Helenos chamam Tebas Egípcia
e cujo deus é Âmon. Theuth foi até ao seu pa-
lácio, mostrou-lhe os seus inventos e disse que
precisavam de ser distribuídos aos outros habi-
tantes do Egipto. O rei, no entanto, perguntou-
lhe que utilidade tinha cada um deles, e, perante
as explicações do deus, conforme lhe pareces-
sem bem ou mal formuladas, a uma censurava e
a outra louvava. Diz-se, na verdade, que Tamos
apresentou muitas observações a Theuth, num e
noutro sentido, a respeito de cada uma das artes,
que seria longo referir em pormenor.
Quando, porém, chegou a ocasião da escrita,
Theuth comentou “Este é um ramo do conhe-
cimento, ó rei, que tornará os Egípcios mais
sábios e de melhor memória. Na verdade, foi
descoberto o remédio da memória e da sabedo-
ria.” Ao que o rei responde: “Ó engenhosíssimo
Theuth, um homem é capaz de criar os funda-
mentos de uma arte, mas outro deve julgar que
parte de dano e de utilidade possui para quan-
tos dela vão fazer uso. Ora tu, neste momento,
como pai da escrita que és, apontas-lhe, por lhe
quereres bem, efeitos contrários àqueles de que
ela é capaz. Essa descoberta, na verdade, pro-
vocará nas almas o esquecimento de quanto se
aprende, devido à falta de exercício da memó-
ria, porque, confiados na escrita, recordar-se-ão
de fora, graças a sinais estranhos, e não de den-
tro, espontaneamente, pelos seus próprios sinais.
Por conseguinte, não descobriste um remédio
para a memória, mas para a recordação. Aos es-
Fedro
, 274b
tudiosos oferece a aparência da sabedoria e não
a verdade, já que, recebendo, graças a ti, grande
quantidade de conhecimentos, sem necessidade
de instrução, considerar-se-ão muito sabedores,
quando são, na sua maior parte ignorantes; são
ainda de trato difícil, por terem a aparência de
sábios e não o serem verdadeiramente.”
(...)
Portanto, quem julgasse transmitir na escrita
uma arte e quem, por sua vez, a recebesse,
como se dessas letras escritas pudesse derivar
algo de certo e de seguro, mostraria muita
ingenuidade e desconheceria realmente o
oráculo de Âmon, se crêem que os discursos
escritos são algo mais do que um meio de fazer
recordar a quem as sabe já as matérias tratadas
nesses escritos.
FEDRO:
Muito justamente.
SÓCRATES:
É isso precisamente, Fedro, o que a escrita
tem de estranho, que a torna muito semelhante à
pintura. Na verdade, os produtos desta permane-
cem como seres vivos, mas, se lhes perguntares
alguma coisa, respondem-te com um silêncio
cheio de gravidade. O mesmo sucede também
com os discursos escritos. Poderá parecer-te que
o pensamento como que anima o que dizem; no
entanto, se, movido pelo de aprender, os interro-
gares sobre o que acabam de dizer, revelam-te
uma única coisa e sempre a mesma.E, se uma
vez escrito, todo o discurso rola por todos os lu-
gares, apresentando-se sempre do mesmo modo,
tanto a quem o deseja ouvir como ainda a quem
não mostra interesse algum, e não sabe a quem
deve falar e a quem não deve. Além disso, mal-
tratado e insultado injustamente, necessita sem-
pre da ajuda do seu autor, uma vez que não é
capaz de se defender e socorrer a si mesmo

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Há uma tecnologia no ensino da Filosofia?


Na aula de quinta-feira passada, dia 21 de novembro de 2013, alguns alunos criticaram a redução da filosofia ensinada nas escolas e nas universidades a uma tecnologia e ao acentuado culto à erudição, com prejuízo para o exercício do filosofar, isto é, da atividade filosófica como conhecimento e como ação político-social.
Algumas teses já foram escritas sobre essa temática. E trata-se de um tema que se discute há muito tempo no cenário intelectual de nosso país.
De fato, a cultura acadêmica da filosofia, no Brasil, desenvolveu-se, à moda uspiana, mediante a prática exaustiva da leitura e da análise de textos, onde utilizaram-se, principalmente, a hermenêutica e o estruturalismo, como métodos de interpretação e explicação das teses e dos conceitos fundamentais dos clássicos do pensamento filosófico ocidental.
Para além desse debate interno à universidade brasileira, o tema habita toda a história da filosofia, onde podemos tomar o confronto de Sócrates contra os Sofistas, no qual o primeiro propunha a substituição da Retórica pela Filosofia como caminho para a educação da juventude, uma vez que, segundo o mestre de Platão, a primeira não oferecia mais do que um adorno ao passo que a segunda prometia assegurar à alma o conhecimento da verdade, o cultivo da justiça e a contemplação do Bem e do Belo.
Hoje, essa contenda ainda nos faz tomar partido. Preferimos poder contemplar a verdade, o Bem e o Belo. Pergunto, porém, se o poder sedutor do diálogo socrático também não se desenvolveu como uma nova tecnologia da linguagem pela qual se poderia obter o interesse dos estudantes?

Comentários do FACE sobre a nossa enquete:



Transcrevo, a seguir, os comentários dos nossos amigos sobre a enquete proposta por este BLOG.
Agradecemos muitíssimo a todos que até o momento se manifestaram.
Abraços!

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Resultado Enquete

Durante o mês de dezembro de 2013, o Blog realizou uma enquete para saber se a Filosofia deve ser uma disciplina obrigatória no Ensino Médio.

Fonte: Gráfico elaborado pela equipe do Blog (2013)

Foi constatado que 62% dos participantes são a favor pois possibilita uma consciência crítica no aluno. Enquanto 38% também concordam, desde que exista professores graduados em Filosofia dentro da sala de aula. Não houve participantes no que diz respeito a um posicionamento contrário. 

E se você quiser contribuir conosco, e até mesmo divulgar um evento, deixe o seu comentário. 

Enquete

Em dezembro de 2013 foi realizada uma pesquisa no Blog se a Filosofia deveria ser uma disciplina obrigatória no Ensino Médio. Tivemos 22 participantes, destes, 15 acreditam que há possibilidade de uma consciência crítica no aluno, representando 62% dos votos. 

Fonte: Gráfico elaborado pela equipe do Blog (2013)

Nove internautas votaram na opção em que a Filosofia deve sim fazer parte do Ensino Médio como disciplina obrigatória, desde que haja professores graduados em Filosofia, representando 38%.Ninguém se posicionou contra o ensino da disciplina no Ensino Médio.

E você tem algum comentário, quer divulgar seu evento de Filosofia, contribua conosco, mande seu comentário.